Estaleiro: capital pode vir de suíços e russos

05 de September de 2013

Dois investidores estrangeiros já estão negociando participação no estaleiro a ser construído no município de Camocim. Apesar de o empreendimento ainda estar em fase de análise – que prevê a formalização de um acordo de cooperação técnica entre a entidade governamental russa JSC Shipbuilding & Shiprepair Technology Center (SSTC) e a Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece) -, um investidor da Suíça e outro também da Rússia já teriam demonstrado interesse em entrar com capital financeiro, divulgou o deputado estadual Sérgio Aguiar.

O deputado participou, na última semana, da comitiva cearense de atração do estaleiro em São Petersburgo, na Rússia. Sérgio Aguiar destaca que devem ser criadas cerca de 2 mil empregos diretos e outros 5 mil indiretos na construção do empreendimento – com base no estudo de viabilidade elaborado pela Transpetro. “A área oferecida pela prefeitura de Camocim é de cerca de 100 hectares e está localizada em um terreno onde ficava uma salina, na entrada do município”, explica Aguiar.

Visita

De acordo com o diretor executivo da Pentagonal – consultoria responsável por atrair o negócio -, Aécio Gonçalves, a visita dos russos deve ocorrer entre o final de outubro e o começo de novembro. “Passamos as condições técnicas do local e eles farão a análise mercadológica. Com a assinatura do protocolo, deverá ser elaborado o planejamento do negócio e o cronograma de visitações. Acredito que até o final do ano isso esteja definido”.
Em um primeiro momento de negociação, a empresa havia previsto que seria necessário investimentos na ordem de R$ 300 milhões, como divulgou, com exclusividade, o Diário do Nordeste, no mês de julho. A Transpetro havia apontado Camocim como um dos municípios mais adequados para a instalação de um estaleiro de grande porte.

“Eles (os russos) ainda vão orçar e o valor pode mudar de acordo com o projeto que eles montarem. A empresa – que tem uma parte do governo da Rússia e parte privada, sendo de economia mista – é detentora de alta tecnologia. Nós visitamos um estaleiro (Kanonersky Shiprepairing Yard) de lá e saímos muito satisfeitos”, disse Gonçalves.

O diretor de infraestrutura da Adece, Eduardo Neves, explica que está sendo elaborada minuta a ser analisada pelos russos. Ele ressalta que o documento da Adece deve ser enviado nos próximos 15 dias, pois ainda está sendo concluída a parte jurídica e a tradução juramentada. “Estamos trocando informações e será só cooperação técnica mesmo, sem nada financeiro. Depois da avaliação, deverá ser assinado protocolo, para se iniciarem as construções”, explica.

Perfil do empreendimento

Neves detalha que o estaleiro de Camocim será voltado para o reparo de navios, podendo atender as demandas nacionais e de países vizinhos. Atualmente, os reparos nos navios brasileiros são realizados fora do País.

“Os russos ficaram muito empolgados pelo o que mostramos de todo o Estado. Ficamos de frente para o Atlântico e para a África. Os navios que vão para a Europa passam por aqui. Como seria um estaleiro de reparo, abriria uma série de departamentos, gerando emprego e formando um polo metalmecânico naval em Camocim”, diz.

GABRIELA RAMOS
REPÓRTER

 

Fonte: Diário do Nordeste

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1314338